Em Setembro: lê as entrevistas EXCLUSIVAS aos realizadores Miguel Gonçalves Mendes, Gonçalo Almeida e ainda ao Director do MOTELX Pedro Souto! =D

sexta-feira, 4 de maio de 2018

Vem ao 9 Jantar da Blogosfera!

Olá, boa noite!

É já dia 2 de Junho, que acontece o 9º Jantar da Blogosfera! E tu, vens?
Já está muita coisa preparada: o restaurante já está escolhido; este jantar foi divulgado, no facebook
de várias instituições LGBT portuguesas; e ainda - não menos importante -, existe adesão de leitores da blogosfera (e não apenas autores). Claro, para além disto, há surpresas a serem "cozinhadas"! =P
A autoria deste banner é da leitora Magg. Obrigadooo! =)
Tem sido fantástico, ao longo destas 8 semanas, ver a adesão e interesse de tantos e bons bloggers
que, muitos deles, nem sabia da sua existência. Tenho percebido que, muitos para além de mim, têm o mesmo interesse em reunirmos-nos para passarmos uma noite cheia de boa conversa, comida, e fazer novas amizades - este é o mote de um jantar, já aceite por vários autores da nossa praça!

Queres saber quais os blogs que vão ao jantar?! Pois, mas só saberás ao ires jantar connosco! =P

Onde será o jantar? Ainda haverá algo depois disso?
Só será anunciado publicamente o local, depois do jantar se realizar. Mas uma coisa é certa: é num ambiente acolhedor, e bem dentro de Lisboa! Claro que sim, está planeado irmos a um bar e/ou discoteca (mas só vai quem quer, naturalmente)! =D

Quem pode inscrever-se para o jantar?
Não importa se és branco ou pretohomem ou mulherheterossexual ou homossexualblogger
ou leitor - é um jantar de pessoas, onde apenas existe um pré-requisito: boa disposição!

Eu sou de longe, não tenho nenhuma "desculpa" para ir a Lisboa...
De 25 de Maio a 13 de Junho, no Parque Eduardo VII, haverá a 88º Feira do Livro de Lisboa - queres melhor motivo para vires do que comprares livros baratos e passear pela capital?! =)

Mas posso inscrever-me até quando?
Bom, já te devias ter inscrito, certo?! Mas vá, tens até dia 25 de Maio para enviares e-mail
( adolescentegay92@gmail.com ) a indicares-me a vontade em participar no jantar e aí, tudo será combinado por mensagem! Podes e deves trazer a tua cara metade, ou um amigo, até porque isto é simplesmente... um jantar de pessoas divertidas, conversadoras, e que gostam de conhecer pessoas!

Sei que não vais querer faltar, pois eu e outros já confirmamos presença!
Este é o primeiro evento do mês de Orgulho LGBT Português! Envia-me já um e-mail!

Recordam-se da música que a Dana levou à Eurovisão em 2011? All Aboard, guys! =D




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

terça-feira, 1 de maio de 2018

Multi C-Through Line Modus Vivendi

Olá a todos!

Novo mês, nova linha da Modus Vivendi! Desta vez, inspiraram-se na Arte da Esgrima e, todas as peças, têm a malha como principal detalhe, tal como as máscaras deste desporto! =)
Saibam mais sobre estas cuecas sem fundo
Linha Multi C-Through é composta por cuecas, boxers, cuecas sem fundo, T-Shirts e camisolas de manga à cava. Poderão encontrar estas peças em azul, vermelho e amarelo. =P
Poderão ainda conjugar estas novas peças, com os meggings apresentados anteriormente!
Saibam mais sobre esta T-Shirt e esta camisola de manga à cava
Sei que ficaram cheios de curiosidade de visitar este local. Pois bem, trata-se de Ezeiza, na Argentina! E os meninos? Bom, são o Federico Guasch (o seu Instagram é este), a ainda o Eduardo Moñuz (que tem este Instagram). Quem é amigo, quem é ?! xD
Saibam mais sobre estas cuecas e estes boxers
E que tal, vai uma luta de espadas?? =P




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

sexta-feira, 27 de abril de 2018

Ofertas da Prozis 2018

Olá rapazes!!

De amanhã e até dia 6 de Maio, todas as vossas encomendas da Prozis superiores a 50€, para além de terem 10% de desconto ao aplicarem o código promocional AG10, ainda têm uma oferta! =)
Escolhe uma das cinco ofertas disponíveis!
Assim, podes escolher apenas 1 destes produtos:

> 1 Zero Ketchup with Spices;
> 1 Protein Milk (com possibilidade de escolher o sabor);
> 1 Peanut Butter 500g [com possibilidade de escolher entre Smooth (suave) e Crunchy (crocante)];
> 1 Caixa de 3 Diet Bars (com possibilidade de escolha de sabor); e
> 1 Prozis Maxi Bottle (com possibilidade de escolha de cor).

A minha parceria com a Prozis, foi a primeira a existir entre esta marca e um blogger LGBT. E, no ano passado, no Natal, puderam entrar num passatempo onde ganhavam vários prémios!! Todavia, com esta campanha que vos apresento hoje, TODOS ganham algo que queiram com uma compra superior a 50€! É só escolher minha gente, é só escolher!! xD Já conhecem a manteiga de amendoim?! =P

Para quem faz desporto de forma amadora ou profissional, pode adquirir produtos da PROZIS
com 10% de desconto em todo o site através do código AG10!!! Vá, poupem dinheiro!




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

terça-feira, 24 de abril de 2018

À descoberta de Lisboa 7/8

Oi!!

Depois de muito caminhar, num dia de Primavera, cheguei então à feira da ladra! Muita variedade de objectos, desde velharias (candeeiros, loiças) a coisas modernas (T-shirts, aparelhos musicais).
Alguidares na entrada no Mercado de Santa Clara
Mesmo ali ao lado, está o Mercado de Santa Clara, modernizado. Naturalmente que mantém a traça do século XIX, em ferro e vidro. A entrada é linda! E não é que penduraram alguidares no cimo, o que transforma a entrada no Mercado num espectáculo de cor?! Está lindo, lindo, lindo! Lá dentro, já não há mercado, está transformado em comes e bebes para turistas. Está tudo transformado para eles.
No Telheiro de São Vicente
Na Rua Arco Grande de Cima, subindo uma esgrime rampa, damos de frontes com uma pequena praceta de seu nome, "Telheiro de São Vicente". Tem meia-dúzias de casas. As velhas estão à venda, as que já tiveram algumas obras, são habitadas por alfacinhas e, as que tiveram grandes obras, são alojamentos locais. Todavia, é um sitio agradável, há sombras e dá para descansar. Longo em frente, está a igreja do padroeiro de Lisboa, São Vicente de Fora. Estamos, claro está, em Alfama! =)
Igreja de São Vicente de Fora
O grupo Dschinghis Khan, actualmente, não tem os mesmos elementos. Dois já faleceram. O primeiro foi o principal do grupo, o Louis Hendrik Potgieter (o que tem uma mosca muito comprida), em 1993, com Sida (suspeitou-se que seria homossexual). Mais recentemente foi o Steve Bender (o careca), a 7 de Maio de 2006, vítima de cancro. Vejam aqui, o grupo na sua forma original! =)




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

sexta-feira, 20 de abril de 2018

O Último General

Meus senhores, eu whisky não tenho, mas posso oferecer a todos café e água.
- António Ramalho Eanes

Boa noite!

Se tenho um ídolo político, ele é o General Ramalho Eanes. A sua honestidade, é o melhor adjectivo que se pode associar a este que foi o primeiro Presidente da República democraticamente eleito.
Eu, e à semelhança de tantos outros, pouco sabia ao detalhe quem foi este homem para Portugal.

Na próxima quarta-feira, assinala-se a Revolução de Abril. Este dia, deve ser lembrado sempre, não por aquilo que falta conquistar, mas por aquilo que se conquistou. No ano anterior, já falei sobre a maior consequência deixada pela Revolução e, este ano, falarei sobre O Último General.
Ramalho Eanes: O Último General, por Isabel Tavares
Foi-me oferecido este livro, há poucas semanas. Conferenciei com uma pessoa conhecida, o quanto admiro o General Ramalho Eanes. Assim, por surpresa, essa pessoa chegou-se a mim oferecendo-me o livro e pedindo-me desculpa... Desculpa de quê? Bom, esta pessoa é vizinha de Ramalho Eanes, na Madre de Deus, e foi ter com ele para que este fizesse-me uma dedicatória contudo, este recusou, visto que apesar de ser uma Biografia Autorizada, há partes em que ele não concorda e, como tal, não o assinaria. E aqui está o pedido de desculpas: não ter o livro autografado. Como devem calcular, agradeci a simpatia pela tentativa, mas que não fazia qualquer mal o livro não estar assinado até porque, a oferta do livro já é um acto de grande generosidade e que muito agradecia a sua atenção.

(...)
Também não vai ao cinema
nos cafés nunca entrou
e no amor - penso eu -
que ele nunca namorou.
(...)
Só gosta de ser ciclista
pois quer ser às do pedal
e então é vê-lo nas ruas
e às vezes... no hospital.
(...)


João Silva (frei Roy), sobre o colega Tó Ramalho
- página 35.

Todos os dias lia algumas partes do livro e, como deverão calcular, já o terminei. O livro é incrível. Aprendi tanto sobre ele, que é impossível resumir num só texto. Assim, publicarei aqui 3 excertos do livro, onde também vocês podem retirar as vossas próprias opiniões a respeito do nosso General.

Perguntei a Ramalho Eanes se gostaria de ler este livro antes de ser publicado, o que recusou, como recusou o direito de contraditório. E justificou-se com dois pequenos e muito elucidativos episódios. Contou-me que, em tempos, sempre que ia a Castelo Branco, alguém lhe recordava que devia visitar uma senhora de idade já avançada que se lembrava de ter andado com ele ao colo. A senhora, que contava esta história a toda a gente, fazia muito gosto em revê-lo antes de morrer. Eanes garantia que nada daquilo era possível, os factos não coincidiam, mas, face a tanta insistência, acabou por ceder. E aconteceu o inevitável: o António não era, afinal, Ramalho Eanes, mas um primo seu com o mesmo nome. Podia ter mantido o equívoco, mas Manuela Eanes desfez o engano, sem querer, e acabou com a felicidade da senhora, que durante toda a vida acalentara aquela ideia. A partir desse dia, Eanes e a mulher acordaram que jamais voltariam a desmistificar uma memória, uma boa memória. «Se é feliz, é assim que deve ficar.»
- página 16.

Esta passagem, para mim, é a melhor do livro. Concordo com ele. Muitas vezes, o melhor que temos a fazer, é não fazer nada - deixar a pessoa com boas recordações, mesmo que saibamos a verdade. Não temos o direito de estragar memórias, mas sim o direito espalhar boas energias!



Foi em Évora, a terra de Granadeiro, que se registou o incidente mais grave. O comício foi dentro da praça de touros (hoje transformada num centro comercial) e já se ouvia vozearia do contra. À saída, iniciando o trajecto na Avenida da Circunvalação, entre o jardim e o bairro Sá Morais, debaixo de uns grandes plátanos, «o condutor, que, por acaso, não era o primeiro-sargento Serra, deixa um espaço entre o carro da segurança da frente e o carro da segurança de trás, o que não podia acontecer, tinham de ir praticamente colados. Apercebi-me de que um tipo que estava em cima de um muro ia tentar alvejar o carro, tive essa percepção. Depois a segurança actuou, deu-lhe um tiro e ele caiu. Impressionou-me imenso. A segurança deu vários tiros para o ar para dispersar e cortaram os ramos dos plátanos, que nos caíram em cima. E o general Eanes, que ia sentado ao lado do motorista, subiu para o tejadilho. O tipo de bigode que está a agarrar as pernas do general para ele não cair sou eu», descreve Granadeiro.
- páginas 120 e 121.

Depois de ler o livro, fiquei com vontade de conhece-lo. Ir à Miguel Bombarda, marcar reunião, e ir lá apenas para agradecer aquilo que fez por mim. Pode ser parvo. Ou talvez não. Já o fiz antes.
Cada vez mais, acho que isso é importante - agradecer às pessoas, dizer o quanto é que elas são importantes para nós e, não ter vergonha de demonstrar os nossos sentimentos ou fraquezas. =)

Os heróis que temos, por norma, são os super heróis ou os nossos pais. Bom, os nossos pais são sempre aqueles heróis que temos no quarto ao lado, fazem-nos uma canja quando estamos doentes, ou dizem "Não tens outra camisa? Essa faz-te mais gordo"... enfim, coisas de pais.
Mas depois há os outros heróis. Aqueles que milhões de pessoas acreditam, seguem, admiram.
Não, não falo de José Sócrates ou Bruno de Carvalho, falo de Martin Luther King Jr. ou Anne Frank.
Cada um à sua medida são exemplares, tal como ainda acrescentaria o General Ramalho Eanes.

A pessoa que ofereceu-me o livro, conhece-o há vários anos. Conta-me várias histórias dele e da mulher. Não sei explicar, mas comecei a gostar dele. Admiro-o e quero saber mais sobre ele.
Depois temos o seu humor. Sim, olhando para ele, ninguém diria que é um tipo bem disposto!!

Nesta fase, outro episódio prova o ascendente de Eanes. E o seu humor. A CAP, Confederação dos Agricultores de Portugal, ameaça vir a Lisboa num fim-de-semana inundar a Avenida da Liberdade com fruta. O regimento de comandos é uma unidade operacionalmente dependente do Estado-Maior do Exército (Eanes) e administrativamente dependente da Região Militar de Lisboa (Vasco Lourenço). O que leva Vasco Lourenço a Santa Apolónia para pedir a Ramalho Eanes que coloque o regimento de comandos sob a sua ordem operacional. «Porquê?», quer saber. «Tenho uma missão para eles», responde. «Mas tem de chamar o Jaime Neves para lhe dar a ordem directamente à minha frente», pede Vasco Lourenço. Eanes concorda, chama Jaime Neves e dá a ordem. No instante seguinte, Vasco Lourenço avança: «Ó Jaime, tenho uma primeira missão para te dar. A CAP diz que vem a Lisboa inundar a Avenida da Liberdade com fruta a partir do Marquês de Pombal. A tua missão é evitar isso. Se houver uma peça de fruta a rolar na Avenida, tu não cumpriste a missão e levas uma porrada. Queres a ordem por escrito?» Eanes, que assistia à cena de camarote, ria, enquanto Jaime Neves maldizia a vida e se perguntava como conseguiria cumprir a missão. «Não és amigo do Casqueiro? [José Manuel, secretário-geral da CAP]» «Sou». «Então, resolve o problema», desenrascava-se Vasco Lourenço. Passado pouco mais de meia hora, a CAP emite um comunicado a cancelar a manifestação.
Peripécias como esta não faltam. E ainda antes de o governo de Pinheiro de Azevedo cessar funções, a 23 de Junho de 1976, houve necessidade de um novo empréstimo a Portugal. Foi já depois das eleições legislativas ganhas por Mário Soares, mas antes de este ter tomado funções como primeiro-ministro. Uma vez mais, Mário Soares vai à Alemanha falar com Helmut Schmidt, acompanhado de Vítor Constâncio, para explicar a evolução positiva da economia portuguesa e as linhas do programa económico do futuro governo. Lá vieram mais 250 milhões de dólares.
- páginas 110 e 111.

Ramalho Eanes: O Último General, um livro da Editora D. Quixote.




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

terça-feira, 17 de abril de 2018

À descoberta de Lisboa 6/8

Olá!

E é no Miradouro da Graça que seguimos neste passeio por Lisboa. Foi aqui que acabamos por almoçar o que tínhamos trazido de casa, só coisas boas! Sentados no chão, na calçada, descansámos as pernas e aproveitámos para nos refrescar. Estava um dia quente, tal como será nestes dias!
A vista para Lisboa a partir do Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen
Este miradouro, tem como nome oficial, Miradouro Sophia de Mello Breyner Andresen. Foi assim chamado em homenagem à poeta falecida em 2004, e que está presente no Panteão Nacional. Esta passava horas sem fim aqui, a apreciar Lisboa e o rio. Este miradouro localiza-se ao lado da Igreja da Graça (do século XVIII e estando esta rodeada de pinheiros mansos) e, foi colocado junto desta, um busto em bronze em honra da poeta, onde se poderá ler um dos seus poemas.
A vista para o Castelo de São Jorge no Miradouro da Graça
A vista, tal como estão a ver, é espectacular. Daqui, conseguimos ver toda a cidade! Este local estava repleto de estrangeiros que chegavam, não a pé, mas sim de Tuk Tuks. Os pinheiros presentes no local, romanceia o ambiente propício a ficar horas sem fim na esplanada do local... a namorar, claro está! A partir daqui, conseguimos ver não só o Castelo, mas também a Mouraria até à Baixa Pombalina; vemos os jardins e os telhados das casas, que dão cor e vida à velha cidade! =)
Lisboa, o Convento do Carmo, e o rio
Falar da Graça sem invocar a poeta Natália Correia, é criminoso! Não esquecer que o seu Botequim, ficava localizado mesmo ali, no largo da Graça. O Botequim fechou após a sua morte, em 1993 (esta esteve sepultada no Jazigo dos Escritores do Cemitério dos Prazeres, mas as suas cinzas foram transladadas para os Açores, de onde era natural, em 2016), contudo está actualmente aberto com uma gerência que pretende manter o ambiente dos anos 70 e 80, época das grandes histórias e tertúlias ali vividas. Este espaço emblemático, localiza-se na Villa Souza (edifício forrado de azulejos)!
Por onde quer que olhemos a partir do alto, apenas há um protagonista: o Tejo
E não é que no grupo Dschinghis Khan houve lugar para um casal? Pois é!! O alemão Wolfgang Heichel (da esquerda), quando foi convidado para entrar no grupo, também levou a sua mulher holandesa Henriette Strobel (cabelo liso)! Todavia, após 10 anos de casamento (1986), divorciaram-se.




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

sexta-feira, 13 de abril de 2018

A Mulher Negra

Olá, boa noite.

De todos os azares que existem, raramente lembramo-nos deste: ficar na miséria. Ficar pobre, perder tudo - até perder a consciência do que se perdeu. Todos nós estamos a um passo da loucura, e da miséria; cabe à nossa postura manter o rumo. Mas como sabemos que o rumo que escolhemos não nos levará a perder tudo aquilo que construímos e ambicionamos na vida? Não sei a resposta.

No dia em que fiz um passeio pelos Miradouros e zonas da cidade que não conhecia, que vos tenho mostrado nas últimas semanas, resolvemos parar para ir beber algo fresco e aproveitar uma esplanada da moda visto que, o almoço trouxemos de casa, e sabia bem uma pausa gourmet!
Fomos então parar ao requalificado Intendente, à esplanada do Infame, pertencente ao hotel 1908.
Na esplanada do Infame, uma Coca-Cola e um sumo de Laranja Natural
A esplanada estava repleta de turistas e tugas armados em turistas (como nós). Parámos, vimos a ementa e, visto que o menu não é propriamente barato, ficamos pelas bebidas (o meu sumo de laranja natural, custou 3,50€ e, de natural, sabia-me pouco). Enquanto conversávamos sobre trivialidades, chegou-se à esplanada uma mulher. Preta de cor. Com maneiras simples. A pedir comida ou dinheiro.

Reparámos nela, visto que tinha começado pelas mulheres que vemos na foto. Aproximou-se então de nós. Estava acompanhado por um casal que, quando esta chegou-se a nós, ele quis oferecer o que tinham no menu para comer (uma tosta mista com salada) e um um sumo de laranja natural. Ela então sentou-se na mesa que vemos na imagem, na cadeira em que nas costas está a garrafa Contour. Reparámos no desconforto das restantes pessoas. Ela também. Mostrou-se reticente em sentar-se mas, após lhe garantirmos que ninguém a expulsaria dali, acabou por ceder. Enquanto esperávamos pela tosta, ela falava. Falava alto. Falava sobre tudo, mas comecemos pelo início.

Começou por relatar a forma como era mal tratada pela gerência daquele local, e que era enchutada de lá. Bom, de facto, os funcionários e, particularmente o gerente, detestou que ela estivesse sentada na esplanada. Depois, nós queríamos voltar à nossa conversa, mas eu não conseguia: ela estava mesmo na minha direcção e, acabava por ser o seu receptor. Visto que a tosta estava a demorar, garantimos-lhe que não íamos embora, sem antes ser servida. Agradeceu e começou a elogiar os meus pais (não eram os meus pais, naturalmente, mas ninguém desmentiu). E começou a relatar a sua história de vida. E eu? Bom, eu estava a ouvi-la, e a encontrar parecenças entre a vida dela, e a minha.

E havia tantas. Tantas semelhanças. A sua história, nem sempre batia certo, mas dava para ter uma ideia. Não sei se ela falava verdade ou não... na realidade, não importa. É uma história de vida que, se não fosse a dela, podia certamente ser a minha. Pelo que parece, tinha uma vida de classe média em São Tomé e Príncipe e veio para Lisboa estudar. Por peripécias familiares e de amigos, veio parar à rua. Durante os longos minutos (diria uma meia hora), iam aparecendo pessoas que ela conhecia e, gabava-se, por estar ali sentada e que ia comer ali onde estava, por oferta "deste casal tão simpático", dizia ela. Quando um deles começava a pedir, ela mandava-o embora, a dizer que ali já tinham sido muito generosos com ela. Na realidade, ela não sabia, mas estava a ser muito mais generosa do que nós. Porquê?

Em toda a história de vida desta mulher, havia algo de que ela se arrependia: de não ter estudado mais. Tinha saudades de uma só pessoa, da sua mãe. Tal como eu tenho da minha. Tenho saudades da minha mãe que está viva e todos os dias a vejo. Tenho saudades do que iremos viver juntos. E tenho saudades já, de quem me fará mais falta neste mundo. Apesar de às vezes andarmos às turras, amo-a.

A história desta mulher, fez-me encher os olhos de lágrimas, mas não cheguei a chorar. Estava de facto, a ouvi-la. Estava, a ouvir-me. As palavras dela, ecoavam na minha cabeça, como algo que deveria registar para sempre, e nunca esquecer. Na esplanada, a gerência "gozava" com ela, dando prioridade aos outros clientes (e isso foi confirmado por nós, "ordens da gerência"). Lá veio, finalmente, a tosta mista. Ficou espantada por, afinal, ser verdade o que lhe tínhamos dito. Passou mais um amigo dela e, deu um pouco da sua tosta mista, a esse amigo: "Temos de partilhar", dizia-nos enquanto dividia com as mãos a tosta ainda quente. O Amor daquela mulher, estava assim dividido por todos os seus amigos que ali passaram. Eu, acho, que tive a sorte de ficar com umas migalhas da sua generosidade. Aquela mulher, era de facto alguém extraordinário! Que sorte a minha!

E ali ficava eu, a ouvi-la todo o tempo. De uma meiguice, de uma simplicidade e de um olhar... um olhar cheio de saudade, amargura, mas acima de tudo: de amizade.

Fomos então embora, deixando-a comer. Ela quis então despedir-se de nós. A minha "mãe" recusou o convite. Então ela disse que eu não podia negar-lhe dois beijinhos. E aqui o tempo parou. Não o dela, mas o meu. O que fazer?! Dar dois beijinhos ou recusar? Não sabia o que fazer. Foi uma eternidade. Uma decisão difícil. Por um lado, o nojo de estar em contacto com uma sem abrigo e, por outro, a minha coerência enquanto alguém que aprendeu tanto com a generosidade de outra pessoa e que, em troca, apenas pedia dois beijos. Não sabia o que escolher. Não queria escolher. Mas também, não podia recusar.

Então fui. Pus um sorriso na cara, e fui ter com ela. Dei-lhe dois beijinhos e desejei-lhe uma boa refeição. Antes de sair, ela agarra-me no punho e diz "Cuida da tua mãe". Agradeci e fomos embora, com um aceno de alguém que sempre se conheceu, e na verdade sim: de nós mesmos.

Aquela mulher faz agora parte de mim. Partilhou comigo a sua vida e, eu, tenho o dever de aprender com ela. E sim, aprendi. Penso nesta mulher com frequência, acima de tudo, do seu sorriso.

Neste dia dos azares, não nos esqueçamos do maior azar que nos pode acontecer: perder tudo. Mas há sempre algo que devemos reter: por mais que percamos, nunca devemos deixar para trás o Amor.

Porque esta história repete-se tantas, e tantas vezes. Connosco, Elza Soares.




Beijinhos e portem-se mal!! ;)