Neste mês do Orgulho Gay, irei revelar NOVIDADES com 2 novas Parcerias com instituições LGBT's portuguesas! =D

quinta-feira, 19 de março de 2015

De 3 para 2

Boas.

Quando chegamos da terra, dia 7 de Janeiro (4f), percebemos que tínhamos sido roubados. Faltava-nos várias coisas. A minha mãe foi de imediato ao seu roupeiro e viu que não havia qualquer roupa do meu pai, rápida dedução - o meu pai foi-se embora, levando várias coisas consigo, aproveitando-se do funeral do seu sogro.

O que fizemos? Ligamos logo à Polícia e chamamos algumas pessoas que pudessem ser nossas testemunhas.

O que levou ele? De tudo um pouco. Levou (para além de todos os seus pertences) alguns tachos, conjuntos de cama, ourivesaria vária, livros (que ele nem lia), material eléctrico, etc etc etc e todo o equipamento dos canais por cabo, da internet e até o telefone fixo!

A policia nada vez, pedindo apenas que levássemos até eles um papel com a lista exacta dos bens desaparecidos.

A minha mãe ficou obviamente mal nesse dia. O que mais temíamos era o seu regresso a qualquer momento, pois não tinha deixado as chaves em parte nenhuma da casa.

No dia seguinte, na parte da manhã, a minha mãe foi dar a cara à empresa que gere o condomínio do nosso prédio pois, pelo que sabíamos, ele tinha ficado a dever. Eles, muito tocados com a história, contactaram uma Associação que nos iria apoiar. Nesse mesmo dia, à tarde, a minha mãe encontrou-se com uma pessoa que lá trabalha, a IP. Encontraram-se na Policia pois era para fazer queixa, etc. Contudo, apenas conversaram e a ideia era fazermos uma queixa conjunta - quer e a minha mãe, quer eu.

No dia seguinte fomos a uma PSP, apresentar queixa.... estivemos lá umas 5h.... cada um a sua queixa e as demais burocracias. Ambos tivemos direito ao Estatuto de Vítima.

Durante umas semanas a minha mãe teve de baixa... Nesse tempo, fizemos alteração de titularidade a todos os contratos de casa, inclusive, voltamos a pôr tv por cabo, net e telefone.

Há relativamente pouco tempo fomos à Secção Criminal para voltar a dizer tudo o que nos tinha acontecido. No dia que me calhou (que foi diferente do dia da minha mãe), voltei a dizer tudo... Fui vítima de crime de ódio pelo meu pai - homofobia dentro de casa. Quando me perguntaram se eu queria que fosse a Tribunal, eu disse que sim. Quando me perguntaram se eu queria que ele fosse preso, eu disse que não. Quando me perguntaram se, algum dia eu seria capaz de voltar a falar com ele.... eu disse que sim. Nunca digo nunca. Ele é meu pai e eu serei para sempre filho dele.

A família não se escolhe.
Feliz dia do Pai.

(Soube que morreu um familiar do meu ex-namorado. Voltei a receber chamadas anónimas. Será coincidência?)


Beijinhos e portem-se mal!! ;)