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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Temos validade

Olá.

Tenho medo. Cada vez mais.

Há coisas que prefiro nem saber, para não ficar neste estado. A chorar. Que nem uma criança. A vida consegue ser uma merda. Injusta. Tão injusta! Porquê tirar a vida, a quem precisa dela? Porquê a dor? O sofrimento? A angustia? O prazo de validade que, um médico, nos atribui? Que Medicina é esta, que nos dá uns meses de vida? Que Deus é este, que tira a mãe a um filho... com tempo contado!
O que sobra depois do fim?
Sábado soube que, uma prima minha (nem sei a que grau), que nem conheço pessoalmente (nem nunca falei com ela), está a morrer. Já sabia que teve cancro da mama mas, por aquilo que sabia, estava quase curada. Há uns dias andava cheia de dores no corpo (não conseguia ficar de pé), ficou incontinente e, faz amanhã uma semana que sabemos que, o médico disse que o cancro passou para os ossos e, agora, é uma questão de tempo. 6 meses a 2 anos. Ela é casada, tem filhos e, um deles, mais novo que eu. A mulher deve ter cinquenta e poucos anos. E já está condenada.

Quando soube na noticia, não me tocou muito mas, de dia para dia, tem sido pior. A família da minha mãe, já praticamente toda a gente com mais de 40 anos, já teve (ou tem) cancro... principalmente na mama. Tenho casos, na minha família, de grande luta contra este monstro... sem sucesso. É tão, mas tão triste. Sentimos-nos tão derrotados.

Cada vez ando mais sensível neste assunto. Outro dia, lanchei com uma amiga e, ela disse que o marido dela tinha morrido de cancro no fígado, há uns anos e... comecei a chorar. E depois ela também. Quando já estávamos melhores, contei o meu histórico familiar e... mais choro. Toda a Padaria Portuguesa ficou "WTF" para nós... lol

Irei a mais um enterro. Não sei quando. Não sei quem será a próxima pessoa. Mas haverá "alguém". E isto faz-me pensar tanto. Mas tanto. Sinto-me estúpido. Sinto-me infantil. Sinto-me dramático. Mas também sinto-me só. Quando sei destas coisas, prefiro não saber. Para quê lutar? Para quê a radioterapia? Para quê a decadência humana? Sinto que preciso de fumar. mas não fumo. Preciso de um vitan. Mas não posso. Tenho que manter-me equilibrado!! Equilíbrio! Tenho que aprender a lidar com as minhas emoções e, não, andar com antidepressivos. Estou sóbrio há uns anos e, quero assim continuar.

Esta minha amiga, faz voluntariado no IPO, com o objectivo de ajudar quem lá está. Eu seria incapaz. Incapaz. A vida é tão merdosa. A vida é tão fodida. A vida é tão injusta. O que poderei eu fazer? Tornar-me insensível? Não querer saber, de facto? Enquanto resposta não tenho, não tomo resposta. Continuarei a, sei lá, viver, ou lá como se diz. Sempre no fio da navalha. Sempre à espreita. Sempre com o medo de desabar tudo. Mas porque só penso em mim, e não nela? Não sei, não sei.

Por mais que escreva, fogem-me as palavras certas. Foge-me o que realmente quero dizer. Mas eu nem sei que sei o que quero saber. Estou confuso com isto tudo. Quando sabemos o nosso prazo de validade, como devemos agir? Quem podemos culpar? E como, os outros, devem agir? Porque o doente, mesmo em fase terminal, não perde a sua dignidade. E onde está a dignidade, quando estamos a morrer? Como se deixa uma vida feita, filhos... e sonhos. E os sonhos! Como se vive sabendo da verdade? Luta-se? Luta-se, pelo quê, por quem, e como? Só encontra-se a solidão, quando estamos sós. O Amor não supera tudo, porque até a Saudade é Amor. Resta-nos o fim.


Porque é Fado. Porque é Amália. Porque é, Júlio Resende.




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

1 comentário:

  1. Quando sabemos o nosso prazo, se eu soubesse fazia tudo aquilo que sempre desejei fazer ir onde nunca fui, ver aquela peça que nunca vi, ler aquele livro, ir viajar .... é tudo uma questão de possibilidades financeiras e da própria disposição física da pessoa... Muita força nesta hora e pensamento positivo, pode ser que a tua prima consiga vencer o " bicho". Um abraço MUITO grande.

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