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sexta-feira, 7 de julho de 2017

A capa da homofobia!

Boa noite.

Foi lançada hoje a nova edição da revista "Cristina", onde em cada uma das duas capas, há um beijo homossexual: um gay, e um lésbico. Mas há que saber: porquê?
As capas da TIME em Abril de 2013 e as capas da CRISTINA em Julho de 2017
Antes de mais, tenho de fazer uma declaração de interesses: não sou fã da Cristina Ferreira. Já estive pior, é certo, mas continuo a evitar as intervenções desta apresentadora todavia, quem já não suporto ouvir é o demagogo Manuel Luís Goucha... Enfim, a Cristina tem vindo a subir na minha consideração, ao invés do Manuel Luís Goucha (e do estúpido do Quintino Aires)!

Reconheço, naturalmente o esforço da Cristina mas não me atirem areia para os olhos, ela não faz tudo com o seu próprio punho: não é ela que está a tratar da revista, nem a escrever livros, a tratar de perfumes & outros, a fazer dois programas de televisão, a assumir funções na direcção da TVI, a ser dona de uma loja de roupa, a cuidar de um filho.... e ainda dormir. Não, não é ela. Tal como a Assunção Cristas: acham que ela é candidata à presidência da câmara de Lisboa, presidente de um partido, deputada, cuida de meia-dúzia de filhos e ainda tem de ir buscar a renda que os inquilinos lhe pagam... isto é, uma meia-Lisboa! Poupem-me, claro que não! Ambas têm uma equipa incrível por trás, é certo; ambas dão a última palavra em relação a tudo, é certo; mas fazer tudo? Pois é...

A capa deste mês é perfeita para uma silly season! Porquê lançar uma capa polémica num mês rentável? É parvo! As capas fortes são lançadas nos meses onde a previsibilidade nos indica que não é rentável logo, há que fazer uma grande aposta que, para o público-alvo desta senhora, que é: a classe média-baixa, com uma faixa etária 35-65 anos, mulheres, com baixa instrução, que vivem nos grandes centros urbanos. Isto é, a Cristina dá... farelo. Bom, até agora não há novidade alguma mas, o caso muda de figura quando se é (nada!) original no combate há homofobia. A Cristina é espertalhona.

Poderia ainda entrar por uns caminhos que não quero, como por exemplo: ambos os casais são brancos e estão na casa dos vinte e muitos, trinta e poucos; porquê? Porque não apostar num casal cinquentão e num casal onde um (ou os dois) protagonistas, fossem notoriamente estrangeiros? Será que é para criar a sensação de familiaridade, visto que as senhoras que compram a revista sentem que pode ser algum filho ou neto naquela situação? Não, ela não faria isso... Ou faria? Lá está, farelo.

O 'tuga, autoflagiliza-se. Acha-se fraco e que todos são bons excepto ele próprio e, a comunicação social, em vez de dar auto-estima ao povo não, perpetua a tragédia da nossa existência. Somos uns coitados. Uns verdadeiros... coitadinhos. Ou então podemos ver o copo pelo meio-cheio.



Não sou apologista da autoflagelação da comunidade onde me insiro. Acho que devemos ter um orgulho natural de quem nós somos; não é a nossa orientação sexual que faz pessoas limitadas, é a nossa cabeça. Já temos direitos, e agora?

Tal como já disse no mês passado, nós temos de começar um trabalho... que ninguém quer fazer: mostrar que é natural sermos o que somos, quer para fora da nossa comunidade, quer para dentro.
É deplorável ver gays a discriminar que seja (aparentemente) sexualmente passivo; é deplorável ver gays a discriminar pessoas trans; é deplorável ver gays a discriminar as lésbicas; é deplorável ver os gays a discriminar os heterossexuais. Caça às bruxas, não!

O actual problema da nossa comunidade, é a intolerância e o snobismo. É triste ver jovens gays mais novos do que eu (assim com uns 16/18 anos) chamarem nomes feios aos heterossexuais... que merda andamos nós a fazer? Temos de, urgentemente, ganhar Amor próprio - parar de aplaudir a quem dá peidos publicamente, melhor dizendo, a dar prémios a quem faz o seu trabalho... bom, parece-me evidente que a Cristina irá ganhar um prémio da ILGA, por ter feito estas capas.

É altura de parar com os 'ismos desta vida: machismo, feminismo, e o achismo. Cada um deles leva-nos a demagogia e a um atraso social tremendo. Demos investir o nosso tempo nas relações com as outras pessoas; temos de aumentar os 'ares desta vida: cafézar, esplanar, e conversar. Devemos Amar os outros, sem rótulos disto ou daquilo. Respeitar todos, na mesma medida que gostamos que nos respeitem. Quando tivermos noção da nossa grandeza enquanto indivíduos dotados de Amor, este tipo de linha editorial não terá espaço no nosso amado país.

Os bons exemplos, que existem, devem ser olhados com naturalidade, sem mediatismo próprio de um país em desenvolvimento. Portugal tem um alto índice de homofobia? Comparando-o que quem? Comparando-o em que datas? Portugal tem um longo caminho a percorrer, é certo, mas a última etapa desta corrida de resistência não é dos outros, é nossa - temos de fazer o trabalho interior de gostarmos de nós próprios e, consequentemente, amar o outro. Mas não em palavras, em actos!

Fiquem com o hino do "World Pride 2017" Madrid - A Quien Le Importa!




Beijinhos e portem-se mal!! ;)