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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Corrida "in" Glória

Olá rapazes!

O que vos conto hoje já se passou em Janeiro, na época de Exames, do 1º Semestre.

Num dia-sem-importância de Janeiro, tinha "o" Exame do ano. O Exame da cadeira mais importante de todo o 1º ano do meu curso, o Exame mais lixado do 1º ano, com o professor mais importante de toda a licenciatura. Era "o exame"! "Aquele" exame. O professor tem uma série de contactos na nossa área e, pode arranjar trabalho a quem ele quiser. Ele é "o professor" e, aquele, o exame que caso façamos má figura, ficamos muito mal vistos para com a pessoa... mais importante da licenciatura!
Tudo conta quando se está com tal personalidade: a roupa, a conversa, e a empatia.... Também convém que digamos alguma coisa de jeito, naturalmente. Assim, naquele dia-se-importância, tinha um plano de ataque bem definido: sair de casa 2 horas antes do exame (não fosse o Diabo tecê-las), vestir uma roupa semi-formal mas com apontamentos que marcassem pela diferença e... uma calma surpreendente. Tudo correu bem até ao momento que sou confrontado com um contra-ataque!

Lá saí de casa, horas antes do Exame. Comi bem (ter fome no meio de uma prova não dá com nada), barbinha feita, perfumado e bem jeitoso. Lá fui, elegante, para um exame escrito. Tudo corria bem se não fosse o metro, em Janeiro, ter decidido atrasar-se. Lá apanhei o metro e saí na minha estação para depois apanhar o autocarro que me levaria à faculdade. Estava eu, muito feliz e contente da minha vida, a subir as escadas do metro quando vejo, a passar, o meu autocarro - sim, aquele autocarro que faria chegar cedo ao exame! Pensei: "Vais correr para a paragem seguinte, e vais conseguir apanhar!"!

Lá me virei, e comecei a descer as escadas, a correr! Toda aquela estação estava a ver correr, com um ar desesperado, um tipo de samarra com sapatos a condizer, e calças justas e de pasta na mão, tudo em tons de castanho; ao mesmo tempo, todo o ar daquela estação não se fazia com cinza de castanhas mas sim, de Calvin Klein, "Be". E lá continuava eu, a correr a correr. A minha testa começava a derreter como um perna-de-pau na praia de Carcavelos às 14:30h num dia-quente-de-Agosto. Mas desistir não estava nos meus planos, corria e corria. Subi então as escadas do metro, já no lado oposto de onde tinha saído e vejo o meu autocarro a aproximar-se da minha 2ª opção. Continuei a correr!

As minhas pernas já tinham perdido a força, parecia que estava rodeado de areia-movediça mas continuava, literalmente, com os "bofes de fora". Consegui então, começar a bater no autocarro, para alertar o motorista para não arrancar! Estava eu a chegar a meio do autocarro, quase a chegar a porta de entrada, ele arrancou. "Filho da puta!" pensei eu "Desistir? NUNCA!"! Apanhei o autocarro que vinha atrás, sabendo que este faz parte do percurso. Alertei o motorista o que se tinha passado e que, "se faxavor" podia tentar apanhar o colega e alerta-lo que tinha um passageiro que tinha pressa.

Neste autocarro, em todas as paragens, havia sempre alguma alminha (que não era gentil e que nem partia), que punha conversa com o motorista da Carris! O motorista, que gostava de conversa, veio-se a ver não era de Lisboa e nem conhecia nada por cá: "Caralho. Estou fodido!" - pensei eu, em jeito de conclusão. Até que o meu autocarro ficou parado na mesma paragem onde estava o autocarro que queria. O motorista fez sinal de luzes para o autocarro e abriu-me a porta da frente, pus-me a correr.

O filho da puta do motorista, arrancou. Não desisti. Ele na estrada e eu, em paralelo a ele, a correr. Felizmente o sinal ficou vermelho e pude ir para a estrada, bater-lhe à porta. O homem, fez-me sinal que não me iria abrir a porta (certo... também estávamos fora da paragem!). Voltei para o passeio e respirei fundo. Aquela folga de 2 horas estava a acabar. Tinha 30 minutos para o início do exame, onde iria chegar atrasado (muito provavelmente!) e estava numa pilha de nervos... estava tudo aquilo que evitei. Resolvi não me entregar ao desesperado. Resolvi recompor-me. Naquela dia frio e seco de Janeiro, estava a soar em bica - se tirasse a samarra iria constipar-me, pois só tinha por baixo uma camisa e blazer. Então, fui para a paragem mais próxima, a andar devagar e a tentar respirar de forma calma. Apetecia-me voltar para casa mas não podia fazê-lo, tinha "o" exame do 1º ano do curso!

Cheguei então à paragem, à espera do autocarro que me ia levar ao exame. Estava a hiperventilar e a ter inícios de ataques de pânico (coisa que não tinha há anos!), resolvi já há bastante tempo não tomar nenhum tipo de calmantes (um gajo tem de saber lidar com os problemas da vida!) então, resolvi beber metade da minha garrafa de água e fechar os olhos, pensando que estaria num campo verdejante onde só se ouvia a brisa da montanha, baixei a cabeça e com um papel seco, limpei o suor que escorria-me pela nuca. "O Karma não me vai lixar!", pensei eu. Recompus-me e tive pensamentos felizes - afinal de contas, sou um rapaz giro e estava super "in" naquele dia!

O autocarro chegou e levou-me ao Exame. Cheguei à faculdade 20 minutos depois da hora do início do Exame. Saí do autocarro e pus-me... a correr! Eu, feito doido, entrei pela faculdade dentro, numa atitude tresloucada e desesperante! A 2 metros de chegar à sala parei, ajeitei o cabelo, tentei pôr um ar natural e entrei na sala. GRAÇAS A DEUS que o Exame, ainda não tinha começado mas quem lá estava? Bom, o meu professor a explicar a estrutura do Exame e, para nos vigiar, o professor famoso. Não, não é o mesmo do ano passado! Este, vai com regularidade à televisão e escreve livros e essas coisas. Fiquei no último lugar, da última fila, ao lado da janela. Os meus colegas, a olharem-me como se eu fosse um E.T. e aí percebi que algo não estava bem mas mantive a minha cara de "Têm algum problema? Oiçam o professor!". O Exame chegou, tal como os meus mini-ataques de pânico.

Tentei, durante o Exame, ter pensamentos felizes e estar concentrado. Mais tarde, os meus colegas disseram-me que, quando cheguei à sala, tinha um ar de quem tinha chegado de fazer a maratona: confirmei-lhes os pensamentos, afinal, tinha sido por demais evidente. A minha corrida para o Exame tinha sido inglória e, só prova, aquilo que queremos comprovar: por mais que o Destino nos tenha tramado o dia, há que mostrar ao "engenheiro" que, quem manda no pedaço somos nós! Tomaa! =P

Mesmo quando perdemos a cabeça, devemos mantê-la erguida!




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

P.S. - Passei ao Exame... com 10! xD