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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Oliveira do Hospital

Boa noite.

A minha família, foi uma das muitas gentes que perderam milhares de euros nos incêndios dos últimos dias. Pinhais, campos de cultivo, casas... tudo ardeu. Em menos de nada, levou-se tudo.
Em Oliveira do Hospital, era assim que os cidadãos ajudavam...
Hoje, já não se pede (pela Madeira ou) por Pedrogão, mas por Oliveira do Hospital onde, até a este momento, há 12 mortos confirmados (em mais de 100, dos últimos meses). Como é possível, duas corporações de bombeiros, conseguirem apagar os fogos num concelho inteiro? É impossível. A morte chegou às Beiras e, com isso, toda a formosura natural daquelas terras de gentes trabalhadoras, honestas, e que respiram os ares da Serra da Estrela. Os muitos animais mortos, que fará fechar uma queijaria em Arganil, é apenas um exemplo das muitas PME's que fecharão, tocadas pelo fogo.



E Portugal não é só as Beiras. Em Leiria, um pinhal com 800 anos, ardeu. Em Junho, Pedrogão Grande e zonas próximas, também arderam - morrendo dezenas de pessoas (números oficiais). É essencial que o Governo actue, não de forma popular, mas com a responsabilidade e seriedade que é exigido nestes momentos... aliás, se lhes faltarem valores morais, que recorram às vivências e à maturação intelectual das gentes das Beiras. O Presidente da República, para além de andar a cirandar, que pressione (mais!) o Governo na feitura de legislação em relação ao interior do país.



A terra da minha mãe, foi uma das muitas que arderam. Várias moradias de emigrantes arderam, tal como muitos pinhais, campos de cultivo, e outras zonas e caminhos daquelas gentes. Lá não há água, nem luz, nem gás... há dias. Tenho familiares que perderam milhares de euros nos incêndios destes dias. A minha avô materna, lá está, numa terra que está rodeada de cinza. O sino da terra, tocou a rebate, quando o fogo chegou à zona. As descrições que tenho desse momento, são de um inferno chegado às mãos de gentes com calos de uma vida dedicada àquela terra... agora, para quê?



Os poucos jovens da terra, e que não são bombeiros, aventuraram-se sozinhos na protecção das suas casas. Os de meia-idade, com o que podiam, apagavam os fogos. Só os mais velhos é que tinham vagar para chorar - os outros, não pensavam nisso, apenas queriam "tratar do maldito". A morte, quando nos chega aos olhos, tem uma forma muito mais poucochinha do que imaginávamos.
Eles, fizeram o que puderam, com o que puderam - mas eram poucos. Agora, choverá ajuda contudo... perderam tudo, mas há algo que não precisam: de caridadezinha! Distribuam (também) Amor! ='(




Beijos!