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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Quem tem medo de Virginia Woolf?

Olá a todos!

No dia mundial da Voz, fui ver a peça Quem tem medo de Virginia Woolf?, no Teatro da Trindade.



Com o facto dos bilhetes estarem a metade do preço, foi o mote ideal para um pequeno grupo de bloggers terem ido ver esta peça, protagonizada por Diogo Infante e a incrível Alexandra Lencastre.

Admito-vos, não sabia do que se tratava esta peça. Aliás, até fiz questão de não ler nenhuma sinopse nem ver qualquer video.
Fui, para ver actuar aquelas dois reputados actores e, o que ganharia mais, vinha por acréscimo.

Eu (que fiquei no lugar A12) e a Margarida (no A11) ficamos juntos, na primeira fila, para ver esta peça que é magnifica! No início foi um choque, ver a Alexandra e o Diogo a discutirem, chamarem nomes um ao outro ("filho da puta", "foda-se", ...) fiquei mesmo: WTFFFF???? 

Esta obra trouxe o segundo Óscar de Melhor Actriz a Elizabeth Taylor, e o Óscar de Melhor Actriz Secundária a Sandy Dennis (e ainda mais 3 Óscares).  Não vos irei contar o argumento do filme / peça, mas irei dar algumas luzes sobre esta... bom, como já podem imaginar, é bastante premiada!
Nick (George Segal) e Martha (Elizabeth Taylor), no filme de 1966
A história é sobre um casal de meia-idade, ricos, e vivem no meio de uma crise amorosa há anos, tendo ainda um filho jovem-adulto. O outro casal, jovem, é recente naquela cidade, onde o jovem professor faz tudo para subir na sua carreira universitária. Os quatro, embriagados, vão revelando as suas fragilidades e os seus maiores medos afinal, quem não tem medo do lobo mau?

Esta peça tem vários momentos (muito!) marcantes entre os quais o momento em que George (Richard Burton / Diogo Infante), parte um copo e a sua esposa (Elizabeth Taylor / Alexandra Lencastre) humilha-o dizendo que espera não ter bebida no copo partido, pois no seu salário como professor, não lhe permite dar ao luxo de desperdiçar bebida.

Outro momento é quando chega a casa uma ramo de flores, para os mortos... vinha então uma mudança na história, onde George mata o filho de ambos (quem manda Martha continuar a falar?!).



Esta peça dramatúrgica foi escrita por Edward Albee. Edward, queria que Bette Davis e James Mason para os papeis principais contudo, foi o casal Elizabeth Taylor / Richard Burton que protagonizaram esta obra cinematográfica onde, aliás, pelo que se diz à boca pequena, que o casal talvez tenha-se inspirado nas suas discussões e bebedeiras (pessoais) para interpretar com mestria os protagonistas.

O filme, aparece em 67º lugar na lista dos 100 melhores filmes da American Film Institute, e ainda este filme, não foi exibido em Portugal porque foi proibido pela Censura do Estado Novo.

Por último, quero falar-vos do título desta peça. Não, não há nenhuma personagem chamada "Virginia Woolf" aliás, foi algo que me deixou bastante expectante até ao final da trama e, depois, desiludido com o fim: não tinha percebido o final da peça!...

Virginia Woolf não passa de um eufemismo para "lobo mau", isto é: Quem tem medo do lobo mau?
Os actores: Diogo Infante, Alexandra Lencastre, José Pimentão, e Lia Carvalho
Bom, acho o fim brilhante e até posso compara-lo Ao encontro de Mr.Banks, que tem igualmente uma história bastante triste por de trás. O "lobo mau" das nossas vidas não é uma personagem exógena à nossa própria existência aliás, cada um de nós é a sua própria ferida e a sua própria faca. Cabe assim, a cada um de nós, libertar-se de todo o medo e rejeição pela seu própria existência e amar-se, sem motivo algum - amar-se pelo facto de se amar. Não ter medo do que os outros dizem ou podem pensar - não são os outros que vivem a nossa vida. Existirá sempre um "lobo mau" nas nossas vidas, sempre que deixarmos que isso aconteça.

A essência de viver é ser-se o que se é e não é atrás de uma casa feita de tijolo; é através de uma voz, de um sorriso, e de um olhar... cheios de Amor. O Amor é a única luz que pode existir no vácuo.

Naturalmente, que recomendo esta peça a todos que a possam ver. Neste Verão, andará em digressão e em Setembro vai estar no Porto... é aproveitar minha gente, é aproveitar! =D

Quando a vida dos casais, sem Amor (próprio e pel'O outro), se resume a isto.




Beijinhos e portem-se mal!! ;)

P.S. - Marthaaaa, o nome do filme que querias saber é "Beyond the Forest", múmia! =P