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quarta-feira, 20 de junho de 2018

The Problem We All Live With

Olá a todos!

Pelo segundo ano consecutivo, fui à Conferência anual da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que realizou-se no Teatro Nacional de São Carlos, a 30 de Setembro de 2017. E, conto-vos o que aconteceu por lá especialmente, o fim trágico deste evento que, não fui divulgado nos media locais.
Todavia, vamos começar pelo início. Adoro aprender. Adoro conhecer pessoas. Adoro ter experiências novas. Adoro, assim, o conhecimento. É com naturalidade, penso, que ninguém deverá restringir-se apenas a uma área do saber mas sim, deve tentar saber de tudo um pouco especialmente, o que anda a acontecer pelo mundo. O conhecimento técnico na área que escolhemos é importante mas, deve ser acompanhado, do restante desenvolvimento, no desenvolvimento das outras ciências (exactas ou não-exactas). Este ano, fui a menos eventos que no ano passado e, tal aconteceu por dois motivos: maior e melhor selecção dos eventos a ir e, menos dinheiro para gastar, inclusive, na cultura (infelizmente).
Em destaque, Richard Zimler, ao fundo, Margarida Pinto Correia e Leonor Beleza
Uma das conferências que assisti, foi a esta, onde para além de discutir-se um assunto que muito interessa-me, os painéis de oradores eram heterogéneos. No São Carlos, tinha uma vista prestigiada pois não estava na plateia mas sim, nos últimos andares daquela sala, num dos camarotes existentes. De todos os painéis, destaco este, onde o Richard participa, e onde falou-se das questões LGBT's. Sugiro, que vejam este vídeo, particularmente o discurso inicial de Richard - é simplesmente brilhante!



Após, mais uma vez, ver este painel, suscita-me tecer alguns comentários. Primeiramente, quando no minuto 18, o Richard, diz que "até tem amigos heterossexuais", os aplausos surgiram a medo e, digo até, que começaram a partir dos últimos camarotes do São Carlos; aliás, começaram a partir de mim. Porquê? O público ali presente era algo hostil e, foi uma maneira de quebrar o gelo, e dar apoio a este enorme homem! Como certamente saberão, a organização do evento, não é propriamente liberal!...

A Leonor Beleza, não tem o arcaboiço do seu colega orador e, resulta, de uma prestação inferior todavia, e ignorando o facto deste ter-se referido a Raças e não a Raça (Humana), fico feliz desta ser contra as cotas das mulheres (tal como eu) reconhecendo assim, que é um mal menor (existente até nos países nórdicos). A Leonor ainda refere algo de extrema importância, no que diz respeito aos obstáculos: somos nós que não queremos lugares de chefia, ou achamos que não conseguimos alcança-los? A resposta para esta questão, a meu ver, está no facto de acharmos que não conseguimos alcançar lugares de topo, devido à nossa cultura e educação; há que educar através da meritocracia, e não por razão do género (masculino/feminino). É preciso deixar de ter medo!

O Richard, afirma que foge das pessoas violentas, e questiona o facto de como ser possível conversar com alguém que não acredita nos mesmos valores que nós. Este dilema é também sentido por mim, e já faço o mesmo que ele: fujo. Para mim, quando alguém não partilha os mais básicos valores, é razão para calar-me, pois não haverá nada em comum, nenhum exemplo será suficientemente bom para discutir com alguém que, basicamente, não acredita no mesmo que eu. Simplesmente, ignoro.

No fim, o Richard, aborda um tema de extrema importância: a relevância de ícones LGBT. Oiçam.
A activista Ruby Bridges
No término deste incrível evento, tivemos a sorte imensa de ouvir, a grande Ruby Bridges. Vocês conhecem-me, sabem que não sou grande coisa em inglês, e tive alguma dificuldade em perceber toda a história contada por este mãe enlutada. Tenho pena que a Fundação, não tenha publicado o vídeo completo do discurso desta pioneira, pois tenho a certeza que iríamos aprender muito mais!! Investiguem mais sobre a vida desta mulher, e prometo que não arrepender-se-ão! =D

Também tenho pena que não tivessem publicado o discurso de encerramento do Alexandre Soares dos Santos, dono do Pingo Doce. Tenho pena, principalmente, que não tivesse sido público, o início da sua intervenção. Todavia, não tenho pena desta pessoa. Conto, agora, algo que aconteceu no São Carlos, e que deixou todos os presentes sem qualquer reacção. Quando a Ruby abandona o palco, o Alexandre surge para o seu discurso e, faz algo, que as pessoas como ele não podem fazer: improvisar. Ele começa por dizer algo do género: "Que discurso encorajador! De facto, eu tenho muita gente a trabalhar comigo, como a Ruby, e posso assegurar-vos que são óptimos trabalhadores!". Ele diz isto, e faz um compasso de espera, como quisesse palmas mas, ninguém foi capaz de as dar. Ficou um terrível silêncio na sala. Todos tínhamos acabado de ouvir que, este homem, este explorador, tinha sido racista com a sua convidada. E mais, estavam na sala convidados internacionais que estavam com tradutores... o que terá sido traduzido? Quando ele diz "como a Ruby", ele quer dizer "negros". Senti-me envergonhado e, aposto, que toda a sala também.

O racismo existe, e tem de ser travado. A homofobia existe, e tem de ser travada. É uma questão de Direitos Humanos. E, os Direitos Humanos, não devem ser fragmentados até porque, qual é a diferença entre o racismo e a homofobia? Ninguém escolhe como nasce e, temos de continuar a batalhar, todos os dias, para a manutenção dos nossos direitos. Ninguém merece viver com medo de ser quem realmente é - tudo depende de nós. Não podemos continuar a viver com este problema!




Beijinhos e portem-se mal!! ;)